Wednesday, May 31, 2006

Então era assim...

Eu sempre acreditei nas pessoas. Nas suas qualidades, no zelo com que muitos tratam de seus defeitos e suas mazelas, na humildade com que homens e mulheres encaram seus dissabores a fim de transformá-los em lições modificadoras de seus comportamentos.
Procurei estar sempre vigilante para não idealizar pessoas e gêneros e facilitar o usufruto do que eventualmente me fosse ofertado.
Eu a conheci púbere e acompanhei sua trajetória por montanhas e valetas. Pelo mar, pela viscosidade dos rios, por lagoas enlameadas e charcos putrificados. Em campos frutíferos pude vê-la também, cabelos ao vento no lombo de um corcel. Na noite pálida de certos dias, no tablado da festa em que era diva, deusa e pagã, com suas caras e bocas atraindo vespas, abelhas, aves raras. Chegavam também mensageiros do bem e caixeiros da cobiça. Gente de toda sorte passageira aos meus olhos alimentando meus ódios, minhas dores, meus desesperos.
Eram sentimentos que não duravam meia hora. Batimentos restabelecidos, era só paixão que restava em mim. Eu entendia aqueles olhos, a boca devoradora, seus suores e seus odores. A firmeza do sim e a confiança do não alimentavam aquele amor.