Friday, February 23, 2007

Patético como nos perdemos dentro de nós. Mesmos.Ciosos, Cientes, testemunhas de algum tipo de caos.
Nada que nos faça melhores, mais simpáticos aos dessemelhantes, alheios ao que, demandado o tempo, nos fará irmãos..
Vivemos o caminho do errante. Aquele que desconhece cruzamentos, fronteiras, alagadiços, beiras, passadiços e pontes.
Aquele que conhece o motivo das dores e doente, descreve o caminho das curas.
Nunca para si, conforme preconiza a cartilha da conduta personalista. Para o mundo, maior que toda vaidade, incomparável ao riso de quem vive bem.
Por que come bem, por que aceita sua origem e seus aprendizados nativos, porque se insere num tempo de novidades e divide sua história .

Wednesday, February 14, 2007

Foda-se!

Impressionante como as pessoas se assenhoram das verdades produzidas no mundo, ainda que esse mundo seja o próprio umbigo.
Não é possivel precisar o tamanho do mundo mas quase todo ser pensante acredita conhecer e dominar sua extensão.
Esse mundo costuma ser maior que o fêmur, maior que a pele que recobre músculos e nossa fealdade, maior mesmo que o amor ou a paixão que muitos se empenham em propalar. Desconhecem as fronteiras do bom senso, do respeito que só reconhecem quando diz respeito a si próprios e se apequenam nos credos infantis, nas lições moralistas de pais, mães e outros tutores. Empregam com desenvoltura pesos e medidas diferentes para separar no jogo dos interesses amantes, amigos, colegas profissionais, irmãos de sangue e agregados ocasionais.
Feios, belos, raquiticos, formosos,esquálidos, descolados, "prá frente", desprendidos, antenados. Não importa como se apresentam ou como desejam ser rotulados pelos coadjuvantes, estão sempre a serviço de sua moral. Ou de sua ética particular e equivocada, onde o mais banal e popularizado gesto ganha contornos de guerra: ofensa graduada gestada na mais opulenta razão, como o " filho da puta", " lazarento", "desgraçado", "maconheiro", "biscate", "piranha", "mariquinha", "machinho", "maldito", "tarado", " assanhado", "ousada"... São alcunhas de um tempo tão distante que poderiam ser chamadas de coloniais.
Mas persistem. No vocabulário dissimulado de tantas gentes, nos neologismos substitutivos que floreiam as novas falas, nos olhares punitivos, nos senões que marginalizam sentimentos verdadeiros e originais, na negação do crescimento e da descoberta.
Essa gente perde tempo e vive a procura de vítimas e culpados.
Essa gente me cansa. Mesmo quando as desejo.
Dissecá-las então, é construir o distanciamento e promover a discórdia, ainda que alguns sejam mais ignorantes que outros. Ainda que alguns tenham visto mais que outros, ainda que alguns não se incomodem com a ignorância de outros, ainda que alguns não se seduzam pela pretensa superioridade de outros, ainda que alguns não se incomodem por serem menores que outros, ainda que alguns não se apeguem as essencialidades de outros, ainda que alguns não queiram receber em troca as mesmas moedas com que outros pagam suas diferenças.
Na paixão de conhecer o mundo está o meu deleite e o meu respeito. Não importa o que seja, o tamanho que tenha, sua origem, sua destinação ou a escola em que foi moldado.
E para alguns, isto é substancialmente pecado. Crime. Tabu.