Vou ficar dentro do mundo
e imundo das coisas que você tem. Vou limpar minha boca nas feridas dos que dizem amar. Vou gritar baixinho na hora do gozo exibindo minha ereção técnica. Vou treinar um gemido e trincar os espelhos com meus sussurros. Vou fazer troça de sua libido.
Wednesday, February 04, 2009
triste
Pessoas vão á igreja
e a encontram fechada.
Querem purificar a alma
acalmar os desejos
reconhecer-se no infinito.
Encontrar o afago para suas anústias
o afeto
para seus desesperos
uma estaca firme que lhes dê peso aos pés
para que não caiam
no abismo das tentações.
Fechada,
a igreja de nada lhes serve.
Te procurei hoje
e não encontrei.
E não queria pedir.
Só queria dar.
Dissipar a tristeza que vi nos teus olhos
provocar o sorriso nessa boca
que me completa
dourar as horas do seu dia
publicar o nome do sentimento
que me corrompe
servir de abrigo para seus descontentamentos.
Fiquei pequeno hoje
como o padre
que perdoa os pecados
mas não cura as feridas.
e a encontram fechada.
Querem purificar a alma
acalmar os desejos
reconhecer-se no infinito.
Encontrar o afago para suas anústias
o afeto
para seus desesperos
uma estaca firme que lhes dê peso aos pés
para que não caiam
no abismo das tentações.
Fechada,
a igreja de nada lhes serve.
Te procurei hoje
e não encontrei.
E não queria pedir.
Só queria dar.
Dissipar a tristeza que vi nos teus olhos
provocar o sorriso nessa boca
que me completa
dourar as horas do seu dia
publicar o nome do sentimento
que me corrompe
servir de abrigo para seus descontentamentos.
Fiquei pequeno hoje
como o padre
que perdoa os pecados
mas não cura as feridas.
Tuesday, April 24, 2007
Às Portas do Inferno
Cada qual que semeie segundo suas especialidades.
Nascidos os frutos
e classificada a safra
caberá ao semeador o destino de sua ceifa.
Cada qual que escolha meio a infinitude das ofertas
as sementes
dos frutos da infância e da memória
que melhor desnudarão suas essências
e seus rejeitos.
Cada qual que se arme
e no controle da forja
produza as armas com que pretenda
consertar o mundo
estabelecer o comando
entregar ao combate os melhores braços
e no pavor da derrota
dissolver-se em prantos e queixumes.
Cada qual que trace as linhas de seu diário
e nelas insira as letras de seu
descontentamento:
os passos arrastados
corpos inanimados sob o sol
a ira ante o que não é espelho
a incompreensão das boas e novas
o claustro que acolhe outros desejos
a cegueira insistente sob a luz da lua
os tropeços de quem veste
sapato que não lhe cabe.
Cada qual que eleja seus herdeiros
e com eles leve adiante
seus delírios
sua prosa vacilante
a mala repleta de fotos e fragmentos
que trazem de volta o passado
desviando da rota traçada
passageiros que fizeram-se pares
crédulos nas leis do amor e da morte
mesmo em assentos diferentes.
Cada qual reproduza sua dor
e faça da peste o primeiro mandamento.
Cada qual que alimente sua angústia
e faça da vida a grande tragédia.
Cada qual que se apodere de suas escolhas
e não faça de quem lhe dá o braço
escudo para suas fraquezas
as da alma
as da mente
as que vêm com o tempo
céleres
invisíveis como nódoas que assaltam a visão
e fazem fraquejar o coração.
Cada qual determine o quanto deseja viver.
Nascidos os frutos
e classificada a safra
caberá ao semeador o destino de sua ceifa.
Cada qual que escolha meio a infinitude das ofertas
as sementes
dos frutos da infância e da memória
que melhor desnudarão suas essências
e seus rejeitos.
Cada qual que se arme
e no controle da forja
produza as armas com que pretenda
consertar o mundo
estabelecer o comando
entregar ao combate os melhores braços
e no pavor da derrota
dissolver-se em prantos e queixumes.
Cada qual que trace as linhas de seu diário
e nelas insira as letras de seu
descontentamento:
os passos arrastados
corpos inanimados sob o sol
a ira ante o que não é espelho
a incompreensão das boas e novas
o claustro que acolhe outros desejos
a cegueira insistente sob a luz da lua
os tropeços de quem veste
sapato que não lhe cabe.
Cada qual que eleja seus herdeiros
e com eles leve adiante
seus delírios
sua prosa vacilante
a mala repleta de fotos e fragmentos
que trazem de volta o passado
desviando da rota traçada
passageiros que fizeram-se pares
crédulos nas leis do amor e da morte
mesmo em assentos diferentes.
Cada qual reproduza sua dor
e faça da peste o primeiro mandamento.
Cada qual que alimente sua angústia
e faça da vida a grande tragédia.
Cada qual que se apodere de suas escolhas
e não faça de quem lhe dá o braço
escudo para suas fraquezas
as da alma
as da mente
as que vêm com o tempo
céleres
invisíveis como nódoas que assaltam a visão
e fazem fraquejar o coração.
Cada qual determine o quanto deseja viver.
Monday, April 09, 2007
ADRIANA
A medida não é uma colher
nem a fita com que vigiam
meu cêrco à bebida.
Não está na marca vistosa
que mascara a tinturaria delicada dos pratos
nem na insistência
milimétrica da régua.
A medida é uma mulher.
A melhor.
A que não tenho.
Friday, March 09, 2007
Eu não confio na memória de um rato de laboratório.
Do biotério, de onde o mandam arrancar.
Não confio em quem inventa palavras
e com elas mascara seus sentimentos.
Legítimos.
Mente
e se empazina com a dor alheia.
De não poder ajudar,
partilhar,
comprar liberdades ou comparar sofrimentos.
A memória é pestilenta.
Corrói
a razão
e o desatino.
É parenta da discórdia e não pratica caridade.
Presença
inquestionada nos adeuses .
Destes ou daqueles.
A memória é dissençora .
Do biotério, de onde o mandam arrancar.
Não confio em quem inventa palavras
e com elas mascara seus sentimentos.
Legítimos.
Mente
e se empazina com a dor alheia.
De não poder ajudar,
partilhar,
comprar liberdades ou comparar sofrimentos.
A memória é pestilenta.
Corrói
a razão
e o desatino.
É parenta da discórdia e não pratica caridade.
Presença
inquestionada nos adeuses .
Destes ou daqueles.
A memória é dissençora .
Monday, March 05, 2007
Epitáfio
Sete são os palmos que nos separam.
Vala incomum para os despojos de um filme
inacabado.
Nela estás
e ris.
Das outras
de si
do meu torpor.
Vala incomum para os despojos de um filme
inacabado.
Nela estás
e ris.
Das outras
de si
do meu torpor.
Do mesmo
Sempre os verbos
irrompendo na soleira da porta
sem avisos, editais
manuais de boa conduta
preces ou mandingas do bem viver.
A mesma prosa renitente e cruel
abortando os fundamentos da razão
sem hora marcada prenúncios
ou notas de rodapé.
Nada que me prepare
para honrosa retirada.
Uma receita sem bula a indicar
a melhor profilaxia
um paquiderme pisando em ovos.
E ela me conduz como canção sem nome
nessa dança feéricade um só passo:
os verbos
sempre o verbos.
irrompendo na soleira da porta
sem avisos, editais
manuais de boa conduta
preces ou mandingas do bem viver.
A mesma prosa renitente e cruel
abortando os fundamentos da razão
sem hora marcada prenúncios
ou notas de rodapé.
Nada que me prepare
para honrosa retirada.
Uma receita sem bula a indicar
a melhor profilaxia
um paquiderme pisando em ovos.
E ela me conduz como canção sem nome
nessa dança feéricade um só passo:
os verbos
sempre o verbos.
Friday, February 23, 2007
Patético como nos perdemos dentro de nós. Mesmos.Ciosos, Cientes, testemunhas de algum tipo de caos.
Nada que nos faça melhores, mais simpáticos aos dessemelhantes, alheios ao que, demandado o tempo, nos fará irmãos..
Vivemos o caminho do errante. Aquele que desconhece cruzamentos, fronteiras, alagadiços, beiras, passadiços e pontes.
Aquele que conhece o motivo das dores e doente, descreve o caminho das curas.
Nunca para si, conforme preconiza a cartilha da conduta personalista. Para o mundo, maior que toda vaidade, incomparável ao riso de quem vive bem.
Por que come bem, por que aceita sua origem e seus aprendizados nativos, porque se insere num tempo de novidades e divide sua história .
Nada que nos faça melhores, mais simpáticos aos dessemelhantes, alheios ao que, demandado o tempo, nos fará irmãos..
Vivemos o caminho do errante. Aquele que desconhece cruzamentos, fronteiras, alagadiços, beiras, passadiços e pontes.
Aquele que conhece o motivo das dores e doente, descreve o caminho das curas.
Nunca para si, conforme preconiza a cartilha da conduta personalista. Para o mundo, maior que toda vaidade, incomparável ao riso de quem vive bem.
Por que come bem, por que aceita sua origem e seus aprendizados nativos, porque se insere num tempo de novidades e divide sua história .
Wednesday, February 14, 2007
Foda-se!
Impressionante como as pessoas se assenhoram das verdades produzidas no mundo, ainda que esse mundo seja o próprio umbigo.
Não é possivel precisar o tamanho do mundo mas quase todo ser pensante acredita conhecer e dominar sua extensão.
Esse mundo costuma ser maior que o fêmur, maior que a pele que recobre músculos e nossa fealdade, maior mesmo que o amor ou a paixão que muitos se empenham em propalar. Desconhecem as fronteiras do bom senso, do respeito que só reconhecem quando diz respeito a si próprios e se apequenam nos credos infantis, nas lições moralistas de pais, mães e outros tutores. Empregam com desenvoltura pesos e medidas diferentes para separar no jogo dos interesses amantes, amigos, colegas profissionais, irmãos de sangue e agregados ocasionais.
Feios, belos, raquiticos, formosos,esquálidos, descolados, "prá frente", desprendidos, antenados. Não importa como se apresentam ou como desejam ser rotulados pelos coadjuvantes, estão sempre a serviço de sua moral. Ou de sua ética particular e equivocada, onde o mais banal e popularizado gesto ganha contornos de guerra: ofensa graduada gestada na mais opulenta razão, como o " filho da puta", " lazarento", "desgraçado", "maconheiro", "biscate", "piranha", "mariquinha", "machinho", "maldito", "tarado", " assanhado", "ousada"... São alcunhas de um tempo tão distante que poderiam ser chamadas de coloniais.
Mas persistem. No vocabulário dissimulado de tantas gentes, nos neologismos substitutivos que floreiam as novas falas, nos olhares punitivos, nos senões que marginalizam sentimentos verdadeiros e originais, na negação do crescimento e da descoberta.
Essa gente perde tempo e vive a procura de vítimas e culpados.
Essa gente me cansa. Mesmo quando as desejo.
Dissecá-las então, é construir o distanciamento e promover a discórdia, ainda que alguns sejam mais ignorantes que outros. Ainda que alguns tenham visto mais que outros, ainda que alguns não se incomodem com a ignorância de outros, ainda que alguns não se seduzam pela pretensa superioridade de outros, ainda que alguns não se incomodem por serem menores que outros, ainda que alguns não se apeguem as essencialidades de outros, ainda que alguns não queiram receber em troca as mesmas moedas com que outros pagam suas diferenças.
Na paixão de conhecer o mundo está o meu deleite e o meu respeito. Não importa o que seja, o tamanho que tenha, sua origem, sua destinação ou a escola em que foi moldado.
E para alguns, isto é substancialmente pecado. Crime. Tabu.
Não é possivel precisar o tamanho do mundo mas quase todo ser pensante acredita conhecer e dominar sua extensão.
Esse mundo costuma ser maior que o fêmur, maior que a pele que recobre músculos e nossa fealdade, maior mesmo que o amor ou a paixão que muitos se empenham em propalar. Desconhecem as fronteiras do bom senso, do respeito que só reconhecem quando diz respeito a si próprios e se apequenam nos credos infantis, nas lições moralistas de pais, mães e outros tutores. Empregam com desenvoltura pesos e medidas diferentes para separar no jogo dos interesses amantes, amigos, colegas profissionais, irmãos de sangue e agregados ocasionais.
Feios, belos, raquiticos, formosos,esquálidos, descolados, "prá frente", desprendidos, antenados. Não importa como se apresentam ou como desejam ser rotulados pelos coadjuvantes, estão sempre a serviço de sua moral. Ou de sua ética particular e equivocada, onde o mais banal e popularizado gesto ganha contornos de guerra: ofensa graduada gestada na mais opulenta razão, como o " filho da puta", " lazarento", "desgraçado", "maconheiro", "biscate", "piranha", "mariquinha", "machinho", "maldito", "tarado", " assanhado", "ousada"... São alcunhas de um tempo tão distante que poderiam ser chamadas de coloniais.
Mas persistem. No vocabulário dissimulado de tantas gentes, nos neologismos substitutivos que floreiam as novas falas, nos olhares punitivos, nos senões que marginalizam sentimentos verdadeiros e originais, na negação do crescimento e da descoberta.
Essa gente perde tempo e vive a procura de vítimas e culpados.
Essa gente me cansa. Mesmo quando as desejo.
Dissecá-las então, é construir o distanciamento e promover a discórdia, ainda que alguns sejam mais ignorantes que outros. Ainda que alguns tenham visto mais que outros, ainda que alguns não se incomodem com a ignorância de outros, ainda que alguns não se seduzam pela pretensa superioridade de outros, ainda que alguns não se incomodem por serem menores que outros, ainda que alguns não se apeguem as essencialidades de outros, ainda que alguns não queiram receber em troca as mesmas moedas com que outros pagam suas diferenças.
Na paixão de conhecer o mundo está o meu deleite e o meu respeito. Não importa o que seja, o tamanho que tenha, sua origem, sua destinação ou a escola em que foi moldado.
E para alguns, isto é substancialmente pecado. Crime. Tabu.
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